De Cristiana Guerra, Para Francisco...
Seg, 13 de Julho de 2009 00:00
“Um homem tem morte súbita, dois meses antes do nascimento do seu único filho. Assim nasce este blog. Tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe que, no caso, sou eu. Muitos questionamentos. Muitos raciocínios. Muito aprendizado. E uma pressa em falar para o Francisco sobre seu pai, sobre o mundo e sobre mim mesma (só por garantia).” - Cristiana Guerra
A sensível história da mineira Cristiana Guerra contada em seu blog Para Francisco - seu filho - nos faz refletir principalmente sobre o tempo e o amor. A maneira brusca como muitas vezes as coisas acontecem em nossa vida, nos pega de surpresa e nos deixa sem chão, estado no qual a única saída é a busca de algo que nos faça levantar, continuar vivendo e seguir em frente. Cristiana começou escrever… Escrever tentando entender dois sentimentos completamente opostos e que aconteceram praticamente de uma só vez: a perda de um amor e a felicidade de ser mãe de Francisco.
O blog então virou livro e ele será lançado em São Paulo no próximo dia 25 de novembro, terça-feira, na livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera às 19h30. Haverá também um bate-papo com a autora seguido de coquetel e sessão de autógrafos.
Confira abaixo a entrevista que Daniel Santiago (Revista Monovolume) fez com a Cristiana:
Em que momento você decidiu escrever para o Francisco?
Tive um insight que me fez entender definitivamente a minha necessidade de expressão sobre o que eu havia vivido, sobre tudo o que eu ainda estava vivendo. Somente depois desse insight, que ocorreu seis meses depois da morte do Gui, é que comecei a escrever especificamente para o Francisco. Antes, sabia apenas que precisava falar. Escrevia cartas para o Gui, escrevia para meus amigos. Quando entendi que eu precisava construir uma memória do Gui (e do que senti nesse tempo) para o próprio Francisco, então tudo começou a surgir de um jeito mais claro. E não parou mais.
Sua força e determinação para superar as dificuldades servem de inspiração para muitas pessoas que acessam o blog. Como se dá essa troca de experiências com seus leitores?
Através de comentários e trocas de emails. Não consigo muito mais que isso, pois recebo dezenas de emails todos os dias e o blog é apenas uma das minhas atividades. Minha melhor forma de agradecer e oferecer alguma coisa nessa troca é continuar escrevendo.
Como o blog virou livro?
A Saraiva viu uma entrevista que dei para o Globo Repórter, viu o blog e se interessou. Enviou um email poucos dias depois da exibição do programa e começamos a conversar. Reuni os textos do blog que considerava mais importantes para entrar no livro, melhorei alguns e acrescentei 20 ou mais textos inéditos, assuntos que eu havia começado a escrever mas que não tinham virado posts do blog. O livro é uma adaptação do blog, mas tem muitas surpresas. A estrutura do livro é praticamente a mesma do blog. Mantive a estrutura de cartas.
Além dos textos postados no blog, o livro traz trocas de e-mails e materiais inéditos. É uma forma de levar sua história para fora da internet?
A internet é apenas o meio através do qual a minha história foi contada. O blog na verdade sempre foi um livro. Só que agora é que ele foi impresso. O formato blog ajudou porque eu não tinha essa pretensão de escrever um livro. Eu precisava escrever. Como a escrita encontrou leitores, acabou se tornando um compromisso diário, o que foi bom para que eu mantivesse a proposta de escrever para meu filho. Daí para transformar em livro foi um caminho natural. Eu já estava conversando com duas editoras quando a Saraiva (através de seu selo ARX) fez contato comigo. A editora teve sensibilidade para realizar um projeto delicado e bem cuidado. Fiquei muito satisfeita.
Qual sua expectativa em relação ao futuro, quando Francisco conhecer sua história e de seu pai?
Não penso nisso para não sufocá-lo com minhas expectativas. Minha parte está feita. O interesse dele virá naturalmente e tenho que respeitar isso.
Depois de Para Francisco, você pretende lançar outros livros?
Pretendo continuar escrevendo e, se Deus quiser, construir material para um livro. Mas ainda não tenho idéia. Com certeza será um livro bem diferente, pois não pretendo escrever de novo especificamente sobre a minha vida.
fonte: Revista Monovolume
| Artigos relacionados: |
|---|
| Powered By relatedArticle |

Sobre nós!